terça-feira, 11 de agosto de 2009

Convite...




Virou a chave da porta, e como já esperava, lá estava Ricardo a sua espera com um ar que pretendia ser serio (para a assustar), de braços cruzados, mas mal Raquel entrou, Ricardo desmanchou-se a rir.
- Tenho cara de palhaça, ou quê? – Perguntou Miky também a brincar, tentando no entanto parecer uma inocente criança que não sabia qual era o mal que tinha feito, ou melhor, tentando fazer parecer com que nada de extraordinário tinha acontecido. No entanto Ricardo olhou-a com aquele olhar que não deixava dúvidas de que não valia a pena tentar evitar o assunto. – O que queres saber? – Perguntou Raquel como que esforçando-se para não implorar por falar naquilo noutra altura.
- Não é óbvio? – Despejou o irmão, Raquel abanou demais a cabeça em sinal negativo, o que a fez sentir-se novamente tonta, dirigiu-se por isso à sala, para se sentar no sofá, aquela conversa seria, naturalmente, demasiado longa para o gosto de Miky, por isso seria melhor sentar-se, Ricardo riu-se novamente, e começou a despejar a baldada de perguntas: O que aconteceu? Sabes que não me consegues esconder nada! E… eu sou o único a quem podes contar isto, visto que as tuas amigas não iriam gostar de te ouvir… Vocês andam? – Raquel não conseguiu reter todas as perguntas, e por isso limitou se a responder a que ela sabia que seria a que o irmão mais queria ouvir:
- Não!.... É claro que não andamos, que disparate é esse?! – Perguntou Miky, não querendo no entanto saber a resposta. Ricardo, como já tinha dito anteriormente, conhecia-a bem de mais, e era obvio que com aquela simples pergunta, ele iria direitinho ao ponto fraco de Raquel. Mesmo que mentisse sobre o que sentia, ou o que pensava estar a começar a sentir por Tiago, ela tinha a certeza de que o irmão, mais do que qualquer outra pessoa, não se iria deixar enganar-se. Desistiu de mentir ao irmão, mas como também não lhe queria contar toda a verdade, “fugiu” para o quarto, e fingiu estar a estudar História. Passaram-se horas, durante as quais Raquel não fez mais nada, se não pensar no que tinha acontecido nessa tarde, não estudou, não comeu, simplesmente se deitou na cama, e sempre que alguém ia ao seu quarto, fingia estar a dormir, para não ter de voltar a falar, com quem quer que fosse. Quando a noite caiu, fechou as persianas, mas voltou a deitar-se. Queria fazer algo, queria comer, queria falar mas não sabia o quê, nem sobre o quê. Acabou por adormecer, por volta da meia-noite, e no dia seguinte quando acordou, parecia que aquelas horas passadas no quarto tinham sido desperdiçadas, afinal, ela já decidira. Iria ser “Amiga” de Tiago, quer quisessem, quer não! Ficou surpreendida por não ter sono, nenhum, pois as poucas horas que dormira tinham sido passadas a vaguear por sonhos, pesadelos. Abriu a janela para poder ver como estava o dia. O céu estava carregado de nuvens que ameaçavam rebentar a qualquer momento e deixar cair baldes de água sobre o solo. Vestiu umas calças de ganga e umas quantas camisolas, para se assegurar de que não teria frio. Não suportaria outro abraço daqueles, por muito agradáveis que fossem. Uma vez que se levantou mais cedo do que costume, saboreou o pequeno-almoço, ainda era bastante cedo para ir para a escola. Quando Ricardo entrou na cozinha e viu que a irmã estava consideravelmente bem-disposta, ainda ficou mais espantado do que a própria Raquel, quando percebeu que sorria. Não sabia ao certo, mas tinha um pressentimento de que as coisas não seriam assim tão más, tento o apoio de Tiago. De repente a campainha tocou, trocaram um olhar de espanto. Ainda era muito cedo para receber visitas… Teria acontecido alguma coisa?...
- Eu…Vou ver quem é… - Disponibilizou-se Ricardo. E saiu tão rapidamente da cozinha como voltou a entrar. - Hum, pois… Raquel, tens uma pessoa à tua espera…é…melhor despachares-te… - comunicou, este.
Raquel ficou baralhada, mas ao mesmo tempo ansiosa por descobrir quem estaria a sua espera, por isso, devorou o resto do seu pequeno-almoço, e correu, para o quarto para ir buscar a sua mochila, guarda-chuva, e por um pouco de perfume.
- Adeus mãe, pai! – Despediu-se.
-Porta-te bem! – Retorquiu o pai, ao que esta não respondeu. Já ia no hall de entrada e parou para respirar fundo, em seguida abriu abruptamente a porta. A curiosidade que estivera até então estampada, no seu rosto transformara-se em completa surpresa. De todas as pessoas que Miky esperará ver do outro lado da sua porta, aquela era a que menos possibilidade pensara ter em ver, mas era também a que mais provavelmente lá estaria, considerando os recentes acontecimentos.
- Bom dia! – Saudou Tiago, dano um beijo na cara a Raquel, ao que o seu coração respondeu com um “saltinho”. – Vens?
- Hum…Claro… - respondeu Raquel meia desorientada. Caminharam juntos, até à escola, e quando lá chegaram, deram algumas voltas, até que, o estridente som da campainha os fez acordar e se encaminharam para a sala. Quando lá chegaram, aperceberam-se de que os colegas os olhavam desconfiados, como se soubessem de um segredo que ambos mantinham e que agora tinha sido descoberto. Parecia que os queriam censurar por algo que tinham feito, só pelo olhar! Miky olhou confusa as caras, irritadas, e depois olhou especialmente para: Lua, em primeiro, que parecia demasiado desiludida para apresentar qualquer sinal de irritação, Bia, que apresentava em clara expressão de repreensão e por fim olhou para Leu, que parecia que lhe tinham apunhalado as costas! E o pior de tudo isto é que nem Raquel nem Tiago sabiam a que se devia aquela recepção tão pouco amiga. Raquel queria perguntar o que se passava, mas não teve coragem, e por isso, foi juntamente com Tiago para um canto, mas nem assim deixaram de ser perseguidos pelos olhares irados. Tentaram esquecer o que os rodeava, e conversavam sobre um tema que lhes ficou alheio, pois nada do que diziam se fazia ouvir sobre o que viam. Passaram uns dois minutos, ou nem isso, até que a professora chegou e a sua turma se encaminhou para a sala. Miky não sabia se estar com o seu grupo de área de projecto seria bom ou ainda pioraria mais a situação, tinha um mau pressentimento e isso não lhe agradava! Ainda por cima, de todas as pessoas do seu grupo (- Bia, Lua, Jéssica e Vanessa), nenhuma delas parecia querer ajuda-la a compreender o que se passava…e muito menos falar com ela…
Entrou na sala acompanhada por Tiago, pareciam-se com uns delinquentes que passam por um réu de juízes, e de todos esses juízes, parecia não haver um único a querer defende-los. Lançou um último olhar desesperado a Tiago, ao que este lhe respondeu com um igual e foram ter com os respectivos grupos, Miky sentou-se com uma vontade quase que invencível de sair daquela sala disparada e desaparecer, e só voltar a aparecer quando tudo estivesse resolvido, mas sabia que não podia fazer isso…seria uma cobarde! Afinal de contas não estava a acontecer nada de mais…nada mesmo…só estava a ser censurada pela turma em peso, e nem sequer sabia qual era o motivo de tal condenação! Era só e apenas, aquilo que Raquel mais temia que acontecesse!
O tempo da aula passou como se também ele quisesse condena-la. Quando finalmente tocou, Miky tratou de ser a primeira a sair da sala, logo seguida de Tiago. Tinha sido ignorada a aula inteira, não conseguiria aguentar muito mais tempo sem ter um ataque de nervos! Foi para a parte de trás da escola e só ai percebeu que Tiago vinha atrás dela…Teria sido algo muito agradável falar com Tiago, se, Raquel não receasse perder aquele amigo também!
- Estás bem? – Perguntou Tiago.
- Estou… - respondeu Raquel no que era apenas um sussurro. Não conseguiu erguer a cabeça, com medo de ver que já não havia aquele olhar doce, que afastava os problemas da sua cabeça, é que apenas a deixava pensar, no que acontecia naquele preciso momento…
- Nota-se que estás óptima…até foi por isso que perguntei se estavas bem… - declarou ele, ao que Raquel percebeu que Tiago deveria estar na mesmo situação que ela, e que iria encontrar o olhar terno, que costumava ver quando o olhava.
- É…por causa, do que aconteceu de manhã… - confessou Raquel – eu detesto que elas façam aquilo!... A Bia e a Lua sabem perfeitamente que eu prefiro que elas digam logo tudo a que se chateiem comigo, sem eu saber o porquê!... Como é que eu posso pedir desculpa por algo que supostamente fiz, mas que não sei qual é o mal de o ter feito!
- Pois…não sabes mesmo porque é que o pessoal está assim? – Perguntou ele.
-Não, elas simplesmente ignoraram-me, e quando não o faziam passavam o tempo a mandar boquinhas do tipo: “Pensei que fosses minha amiga. Soube a morango ou a mentol? Foi melhor do que o do Leo?...” – declarou Raquel quase histérica – Fazes alguma ideia do que estavam a falar?
- “Soube a morango ou a mentol?!” – Repetiu Tiago, com ar de gozo, ao que Miky não se conteu em rir. – Queres ir dar uma volta? – Propôs Tiago mudando de assunto.
- Sempre… - Aceitou Miky. A única coisa que queria naquele momento era esquecer-se do que ouvira e vira na aula. A aula de matemática passou mais depressa do que a de área de projecto e de história, mas nem por isso a ajudou muito, porque apesar de já não estar ao pé das supostas amigas, de vez em quando ainda conseguia ouvir as bocas que estas mandavam, e tornava-se cada vez mais difícil, bombardeá-las com perguntas das quais não queria saber resposta, queria apenas tirar aquele peso que sentia por não ser capaz de confrontá-las. A última aula do dia, foi sem dúvida a que apesar de tudo ainda foi mais facilmente suportada. Era uma aula em que a turma estava dividida por turnos, e por isso os comentários já quase não existiam, pois Bia fazia parte do outro turno. E para grande felicidade a professora decidiu fazer experiencias, o que não deixou a Miky muito tempo para pensar em desastres, para sua grande sorte… Ela e Tiago montaram em conjunto um circuito eléctrico, no qual constavam, uma pilha, um multímetro, uma lâmpada, fios de ligação como é obvio, e no qual experimentaram vários materiais para saber quais deles eram bons e maus condutores. Foi a primeira aula em que tinham estado no laboratório, e até nem tinha corrido assim tão mal, contando com as expectativas de Raquel, em relação ao facto de o Júlio por fogo à escola! Quando tocou, Raquel nem queria acreditar que 90 minutos tinham passado tão depressa, e juntamente com Tiago foram para o portão da escola. Caminhavam de cabeça baixa, ambos consumidos por um sentimento de culpa que não sabiam a que se devia, e apesar de não saberem qual o motivo da manifestação dos colegas desse dia, ambos desconfiavam de algo, mas parecia não fazer sentido! Parecia faltar a peça principal! Sabiam que não lhes adiantava estar assim, a resposta não cairia do céu… E se queriam descobrir o que se passava, não podiam agir como dois mudos, que não tem qualquer meio de comunicação. Foi Tiago que tomou iniciativa:
- O que vais fazer hoje à tarde?
- Mmm – pensou Miky, a verdade é que não tinha planos nenhuns para essa tarde, era como se a imaginação lhe tivesse sido roubada! - Não sei…
- Então…e se… - Principiou Tiago – passasses por minha casa…podíamos estudar para os testes que ai vem? – Propôs um pouco duvidoso, não do facto de querer realmente fazer aquilo naquela tarde, mas sim da resposta de Raquel. Esta demorou um pouco a traduzir tanta informação para a sua cabecinha: Tiago queria que ela fosse para casa dele…estudar. O que poderia haver de mal nisso? Nada? Mas Raquel sabia que o seu irmão não iria deixar passar aquilo em branco, mesmo assim, aceitou, era sem dúvida por um bom motivo, iriam estudar para História e Inglês, mais nada! O resto do caminho foi passado a falar nas aulas e a contar patetices que já lhes tinham acontecido, e quando Raquel chegou a casa, já Ricardo lá estava.
- Olha, o Mateus vem para cá à tarde… - informou – portanto, não faças asneiras – declarou ele na brincadeira.
- Ah… – Raquel não sabia como haveria de dizer aquilo… - Eu não estou cá… - Ricardo fez uma cara de quem não percebia nada – vou para a casa de um amigo…
- Amigo?? E… esse amigo…assim, só, por acaso não é o… Tiago? – Era incrível, sempre que Raquel não queria que Ricardo soubesse algo, ele descobria quase imediatamente! Fez uma careta má e foi comer.
- Então? – Perguntou Ricardo.
- Então o quê? – Retribuiu Raquel.
- Ah, a menina já deve pensar que é muito grande! Ainda me tens de dar uma explicação plausível para eu te deixar sair de casa! Sabes que os irmãos mais velhos têm de tomar muito bem conta das maninhas! Hoje em dia há muitos raptores por aí a fora! – Gozou ele. Raquel limitou-se a rir e a abanar a cabeça. – Olha que eu não estou a brincar minha menina… Vá desembucha lá, o que é que vocês vão fazer? – Perguntou com obvia intenção de dar a entender que estava mais curioso do que aquelas velhas que sabem a vida de toda a gente.
- Vamos estudar, mais nada! Tem lá calma, ou queres que eu te comece a perguntar que trabalho de grupo tão grande é que tu tens a fazer com a Carla? – Perguntou Raquel a picar o irmão. Este fez cara de mau, mas depois desatou a rir…
- Sabes como é…és a mais nova…és rapariga…não te pode acontecer nada…e não vá o Tiaguinho, ter ideias estranhas… - Brincou ele ao que Raquel fez um sorriso sínico – vá, não fiques assim. Mas agora a sério… Eu vou passar por lá de cinco em cinco minutos, já aviso! – Miky fez uma careta escandalizada. Sabia muito bem que o irmão não se importava nada que ela fosse ter com Tiago, e por isso não ficou aborrecida com o rumo da conversa. Foi comendo com alguma dificuldade, devido aos engasgos, derivados da conversa parva de Ricardo, arrumou a loiça, e já ia a sair de casa quando o irmão voltou a interrompe-la:
- Isso é que vai ser um estudo! Sem livros, nem nada! Pois…é não é?
- Esqueci-me!
- Sim claro, numa tarde em que vais estudar, esqueces-te da coisa que menos probabilidade se tem de esquecer… - gozou ele.


'"Bia'"...

sábado, 8 de agosto de 2009

Decisão...



Segunda-feira começou muito bem para Miky, na aula de ciências naturais recebeu um teste de 85,2%, o que a animou ainda mais, mas também ficou a saber que o melhor teste tinha sido o de Tiago, embora este não apresentasse nenhuns sinais de se mostrar entusiasmado ou feliz, continuava com o mesmo ar soturno, como se não soubesse sorrir. Lua e Bia tinham deixado de lançar olhares mal-humorados a Miky, visto que esta deixará de falar completamente para Tiago. Mas para não variar, há sempre um senão, e apesar de a última semana ter sido boa tanto a nível de escola como do relacionamento com os amigos para Raquel, quando chegou à aula da directora de turma, toda a turma estava receosa em entrar dentro da sala, pois os resultados dos testes não tinham sido todos como os de Raquel e Tiago, mas para grande surpresa dos alunos, não foi dos testes que a D.T. falou, iriam ser mudados os lugares dentro das salas de aula, e para infelicidade de maior parte do pessoal, iriam ser dispostos por números! Quando a professora disse isto começou um protesto dento da sala. Raquel revirou os olhos e começou a contar para si mesma de dois em dois. As mesas da sala em que tinham mais aulas eram de dois. E era a partir daí que iriam ser dispostos. Miky deu um salto ao perceber com quem iria ficar. Só podiam estar a brincar com ela. “Definitivamente isto deve ser uma brincadeira de muito mau gosto! Só pode!”. Tentou convencer-se. Mas era mais que obvio que não era nenhuma brincadeira. Será que estariam todos contra ela?!
A aula de inglês pareceu durar uma eternidade para Raquel, e para mal dos seus pecados, a professora pedira-lhe para que esta tomasse conta de Tiago!...” Mas o que é que eu fiz para merecer isto!!” perguntava-se Miky a si mesma quase à beira de capitular perante a presença de Tiago. Este por sua vez, e para variar, pusera um sorriso na cara, logo que a professora os pusera juntos.
- Evitas de fazer cara de má. – Brincava este.
- Não estou com cara de má, mas a Bia e a Lua vão ficar, acredita. – Acabou Raquel por desabafar.
- Ai foi por isso que me deixas-te de falar? – Perguntou Tiago, excedendo-se, e chamando a atenção da turma.
- Fala mais baixo, ou a Stora ainda nos manda para a rua aos dois! – Repreendeu Raquel, nervosa.
- Estás mesmo a fazer o que a Stora te pediu? Uau…surpreendes-me a cada segundo. – Ironizou ele.
- Não, não estou a fazer o que a professora me pediu, simplesmente estou a ver se não estrago o meu não cognitivo por tua causa! – Esclareceu.
- Ah, esta bem, esta bem… - Troçou Tiago.
- O que é que tu queres? – Inquiriu Raquel percebendo que aquela conversa iria ser bem mais longa do que o que deveria ser.
Então, Tiago tomou um ar mais serio, embora houvesse um réstia de brincadeira no seu olhar.
- Porque é que deixas-te de me falar por causa delas? – Interrogou apontando para Bia e Lua – É, ridículo! Elas não têm o direito de escolher os teus amigos! Se elas não gostam de mim, bem, eu não tenho culpa, mas não acho que isso seja motivo suficiente para deixares de falar para mim.
- Não é o facto de elas não gostarem de ti! Pelo contrário elas adoram-te… - explicou Raquel pacientemente, mas vendo que Tiago não conseguia perceber qual era o problema. – e é mesmo esse o problema!
Tiago fez um careta, e depois soltou um “ah”, que deu claramente a perceber que não tinha percebido… Miky riu-se, revirou os olhos e respirou profundamente, antes de responder, de maneira, a que o que iria dizer a seguir não se assemelhasse a um foguetão ao atravessar a camada de ozono:
- Como a Bia e a Lua te adoram tanto…vão…querer ser mais do que tuas amigas…só que elas não esperavam que tu te desses assim tão bem comigo…- tentou Raquel explicar
- Sim, e… - incitou Tiago, continuando a não perceber qual era o problema. Miky não tinha palavras para explicar aquilo que ela sabia que Bia e Lua sentiam, e nesse momento mais do que nunca desejou ter um manual a explicar o que pensavam e sentiam as raparigas.
- Esquece, não ias perceber…coisas de raparigas… - desistiu ela.
- E, vais continuar a ignorar-me por uma coisa que eu nem sei o que é?
Miky olhou de relance para as amigas. Tiago tinha razão. Elas não podiam escolher-lhe os amigos, e também não deveriam ter razão para se chatearem com Miky por ela se dar bem com Tiago! Era-lhe difícil fazer escolhas, e aquela parecia-lhe a mais complicada de todas. Mas afinal, as amigas servem para nos ajudarem, não para complicar as nossas escolhas! Raquel abanou a cabeça. Ninguém iria impedi-la de ter os amigos que ela queria ter, Lua e Bia acabariam por aceitar, afinal eram muito amigas e não seria um rapaz que iria estragar essa amizade.
- Vais para casa a seguir? - Perguntou ela, quando se decidiu a formar amizade com Tiago.
- Primeiro tenho de ir buscar o meu maninho. – Declarou Tiago como que pedindo desculpas, mas logo pôs um sorriso no rosto – mas se quiseres podes vir comigo, se tiveres tempo é claro, não é muito longe a escola dele. – Propôs.
-Pode ser. – Acedeu Miky. Por isso no final da aula de inglês Raquel e Tiago seguiram juntos em direcção a escola primária. Anteriormente Miky já tinha ido a esta escola, e embora não guardasse muitas recordações desta, quase poderia ter jurado que o caminho era mais longo, o tempo na companhia de Tiago parecida voar. No meio das brincadeiras e piadas deste, Raquel sentia-se como nunca, embora continuasse com o pressentimento de que aquilo era apenas um sonho bom, que em breve iria acabar. Quando chegaram a escola primária ainda era cedo, e, por isso, tiveram de esperar, até às cinco horas, o que nem foi muito difícil, visto que havia tema de conversa para a tarde inteira. Quando tocou, começaram a sair pequenos grupos de pinguins, ou melhor de estudantes em miniatura. Raquel esticou o pescoço para ver se encontrava, provavelmente uma miniatura de Tiago, pelo que ficou espantada quando viu um miúdo que vinha sozinho correr na sua direcção, com o sorriso mais verdadeiro que Miky alguma vez vira numa criança. Sem sequer ter tido tempo para perguntar, quem era o miúdo, este atirou-se aos braços de Tiago, era agora óbvio para Miky que aquele miúdo, completamente diferente Tiago e da sua mãe era o seu irmão pequenino.
- Raquel, este é o meu maninho, André. – Explicou. E sem que Raquel tivesse tempo nem para dizer um olá…
- Finalmente trouxeste a tua namorada! – Disse André, ainda mais radiante, do que quando vira o irmão. Quando André proferiu aquelas palavras aconteceram mais coisas do que já eram previstas acontecer no segundo seguinte: Raquel corou, e abriu a boca para contestar, acabando no entanto por não dizer nada, em vez disso recuou um passo, e infelizmente, ou Felizmente… tropeçou numa pedra o que quase a levava a cair se não fossem os bons reflexos de Tiago, que agilmente a amparou da queda com os braços; o que os deixou numa posição que comprovava a teoria de André, por um momento, Raquel e Tiago entreolharem-se, um tanto assustados, mas também bastante confusos, com o que acabara de acontecer. Finalmente, Tiago pareceu voltar a realidade, puxando Raquel para que esta não caísse quando a libertasse daquela prisão acolhedora, depois ambos se afastaram, e com isto, André voltou a falar de uma maneira quase que paternal…o que soou estranho…
- Oh, vá lá, maninho, pensei que não tínhamos segredos! – Disse o pequenito com uma lata, que fez com que Raquel quase esquecesse o que se tinha acabado de passar, mas como seria possível esquecer um momento tão mágico?!
- E não temos, e por isso pensei que já soubesses que não tenho namorada! – Esclareceu Tiago um pouco irritado com o irmão. Ao ouvir o que este dissera, Raquel, para sua grande surpresa, sentiu-se agradada. Não pelo facto de os dois irmãos estarem a discutir, mas sim, por Tiago ter assumido ali diante de si, o mais clara e expressivamente, que não tinha namorada. Zangou-se consigo própria por se sentir assim, aliviada pela recente descoberta. Era simplesmente patético!
- Não faz mal! Não te chateis com ele, afinal o teu irmão não tem culpa de se preocupar contigo… - Tentou desculpar Raquel. Ao ouvir isto Tiago pareceu ficar menos tenso, mas nem por isso deixou de lançar um olhar significativo ao irmão que deixava bem claro para ele não voltar a comentar nada sobre aquele assunto. No entanto, e como não poderia deixar de ser, André traquina como mostrara ser desde o primeiro minuto, sussurrou baixinho a Raquel – Ele gosta de ti, sabes… - Raquel olhou-o desorientada, em seguida olhou para Tiago que seguia a sua frente, e voltou a olhar para André. Apesar dos cerca de quinze minutos que passara parada ao pé dos dois, só agora conseguia ver que eram completamente diferentes um do outro. Tiago com os seus cabelos meio – encaracolados, e de um castanho claro, com o seu porte físico que fazia inveja a qualquer rapaz da sua idade, e com os seus olhos ainda mais profundos do que escuros, não espelhavam nada a imagem do irmão, de cabelo espetado e escuro, e com olhos claros da cor do mar…era uma diferença que levaria Miky a duvidar que eles fossem irmãos, visto que a mãe também não se assemelhava nada a André, com excepção dos olhos, que apresentavam a mesma tonalidade azul-marinho. Apesar da discussão inicial os dois rapazes não conseguiram passar muito tempo sem falaram, e quando o voltaram a fazer parecia que não tinha ocorrido qualquer chatice. Era simplesmente animador aquele cenário! Como é que Raquel poderia ter pensado que Tiago era mais um daqueles rapazes “podres de bons” como diria a Jéssica, mas que no entanto como acontecia na maior parte das vezes com esses rapazes que eram considerados “deuses gregos” se mostravam arrogantes e convencidos. Esses rapazes – convencidos e arrogantes – deveriam ser, talvez, pensou Miky, meia a delirar pelos recentes acontecimentos, as tentações do inferno, os rapazes simpáticos, carinhosos e queridos, deveriam ser os anjos, e os poucos que Raquel conhecia com Tiago – queridos, fofos, carinhosos, lindíssimos, e cuja companhia faziam ansiar qualquer pessoa – deveriam ser os deuses “todos poderosos”… Raquel riu-se ao constatar no que estava a pensar…Era ridículo! Como poderia chegar aquele ponto de delírio só por Tiago ter estado “próximo dela”. De repente uma ideia assaltou-lhe o pensamento. Na sua história – na original – constava uma tentativa de beijo na 5ª cena, e um beijo na última! Será que Lua e Bia teriam retirado essas partes? Fez um esforço para se lembrar da leitura feita na aula de teatro, não conseguia recordar-se de nada… Supondo que apenas teriam alterado a história depois de escolherem as personagens, era lógico que tinham tirado essas partes – Lua e Bia morriam de ciúmes da “amizade” de Raquel e Tiago, se estes dessem um beijo, mesmo que fazendo parte do teatro, talvez ainda lhes desse um ataque de fúria! – Mas…e se tivessem alterado o texto antes de o proporem à turma? Era bem possível… Do pouco que Miky se lembrava dessa desastrosa aula, recordava com bastante nitidez o facto de Lua ou Bia – já não sabia ao certo, qual delas tinha sido – terem dito que tinham um texto pronto, e se assim fosse, talvez esperassem serem escolhidas para fazer o papel de Ana, ou seja, as cenas dos beijos, muito provavelmente, (-demasiado provavelmente), ainda lá estariam. Raquel estremeceu ao de leve só de pensar! Se ficava assim quando apenas tinham ficado a uma distância razoável um do outro – essa distância não seria considerada razoável quer por Bia ou por Lua – se houvesse uma tentativa de beijo por parte de Tiago, mesmo que sendo feita por cauda de um teatro… Miky voltou a estremecer ao de leve. E se uma tentativa de beijo teria consequências graves, o que dizer de um Beijo, Raquel pensou no que lhe poderia acontecer: talvez ficasse atordoada – mas isso ela ficara apenas por estarem perto um do outro - , seria bem pior do que ficar atordoada…e se se esquecesse do texto! E se desmaiasse?! Raquel voltou a estremecer, mas agora de uma maneira mais violenta, pelo que Tiago se apercebeu:
- Tens frio? – Perguntou.
- Não. – Tentou mentir Raquel, mas nesse preciso momento apercebeu-se de que a sua mentia era escusada pois tremia quase descontroladamente, por causa do vento que corria, e que Miky não sabia de onde tinha vindo. Tiago riu-se para si, ao perceber que Raquel não conseguia mentir, e envolveu-a nos seus braços - eram como fogo que derretia um iceberg, e que o transformavam em água quente. No caso de Raquel, fez com que esta perdesse o frio, mas no entanto, não conseguiu parar de temer, e embora, para grande alivio de Raquel, Tiago achasse que isso se devesse ao frio – que só por acaso Raquel deixara de sentir desde o momento em que fora envolvida pelo abraço de Tiago – esta sabia perfeitamente que tremia devido ao nervosismo, nervosismo este derivado de não saber se iria conseguir aguentar a curta distância que faltava até sua casa, sem fazer algum disparate, ou sem ser vista por alguém conhecido. Já conseguia avistar a sua casa o que a motivou, pensou em libertar-se do abraço, mas sabia que não queria fazer isso, no entanto começava a sentir uma certa falta de forças nas pernas que não poderiam ser bom sinal. Estavam quase a chegar ao pé da casa de Tiago e por isso Raquel ( a muito custo), tentou sair daquela “prisão”, mas Tiago parecia estar decidido a não deixa-la sair. André percebeu isso e dirigiu-se a casa sozinho, dizendo qualquer coisa que não foi perceptível para nenhum deles, embora ambos soubessem muito bem qual era o tema do seu murmúrio. Nos escassos metros que separavam as suas casas, Raquel começou a sentir-se tonta, tinha medo de que a mãe, o pai, ou o irmão a vissem assim com Tiago, seria motivo de conversa para muitas semanas!...
Chegaram ao portão, da sua casa, e finalmente Raquel foi liberta da “prisão”. Vacilou um pouco o que levou Tiago a esticar novamente os braços para a aparar de uma possível queda. Era simplesmente patético!
- Queres que te leve a porta? – Duvidou ele.
- Não, não é preciso – Riu-se Raquel pensando na simples hipótese, de lhe abrirem a porta de casa e ela estar “agarrada” a Tiago.
- Então…adeus. E vê lá se te portas bem! – Despediu-se ele, rindo-se e dando um beijo na testa a Raquel, isto fê-la vacilar outra vez, mas desta vez conseguiu apoiar-se no muro, pelo que Tiago voltou a dizer, ainda mais duvidoso:
- Tens a certeza de que não queres que te leve a porta, é que eu não quero que caias!
Raquel, recompôs-se, lançou um sorriso a Tiago e atravessou o pátio, que separava o portão da porta da sua casa para que este tivesse a certeza de que ela não caia. Voltaram a trocar olhares, e Tiago voltou vagarosamente para casa. Raquel observou-o a dirigir-se para casa, mais para ganhar tempo e arranjar coragem do que para outra coisa.

"'Bia"'...

domingo, 2 de agosto de 2009

Amizade impossível?...



Depois de acabar a sua exposição oral, Miky afundou-se nos exercícios de francês, e nas complicadas equações de matemática. Estava tão concentrada que nem deu pela chegada de Tiago.
- Precisas de ajuda? - Perguntou este.
- Não, obrigada, a mãe ainda não chegou Ricardo, se quiseres alguma coisa para comer, tens panquecas na cozinha…- informou Miky completamente emaranhada nos trabalhos, nem dando conta que não estava a falar com o irmão.
- Obrigada, mas eu não estou com fome…e… também não me chamo Ricardo…- chamou à atenção Tiago, sentando-se ao lado de Miky e observando o que esta estava a fazer. Ao perceber com quem estava a falar Miky ficou um pouco embaraçada, mas continuou a fazer os trabalhos de matemática.
- Esta está mal…quando mudas um termo de membro tens de trocar os sinais – informou Tiago. Raquel limitou-se a emendar, e continuou como se nada fosse – obrigada por me ajudares nos trabalhos de casa Raquel - dizia Tiago em tom irónico. Miky pousou o lápis, respirou fundo e respondeu.
- Obrigada, mas as minhas dúvidas, eu tiro-as com o professor.
- E tens a certeza de que percebes, ou que sequer as pões ao professor? – Duvidou Tiago.
- Está bem, pronto, tenho alguma coisa mal, senhor espertinho? - Inquiriu Raquel.
- Não, o resto está tudo bem, acho eu… - respondeu ele depois de analisar os T.P.C.’s de Raquel. – Já fizes-te os de francês? É que eu não consegui perceber a matéria, o francês não me entra na cabeça, definitivamente!
- Não, ia fazer agora, mas se quiseres vais buscar os livros a casa e fazemos juntos, acho que percebi mais ou menos a matéria. – Propôs Raquel.
- Óptimo! Fica aqui que eu já volto…ah…queres alguma coisa para comer?...panquecas? - Sugeriu Tiago. Miky riu-se e acabou por responder:
- Sim, só por causa disso, podes trazer alguma coisa… - brincou.
Passado um bocado, Tiago voltou a aparecer com livros debaixo do braço, carregado com um bolo de chocolate com aspecto óptimo e com sumos. Ao ver isso Miky desatou a rir. Sentaram-se os dois debaixo do chorão a fazer os trabalhos de casa e quando os acabaram, encheram a barriga de bolo de chocolate, sumo e queques. Naquela tarde, pela primeira vez Raquel e Tiago tinham conseguido falar civilizadamente e mais, ambos se tinham divertido a valer como já não faziam à muito. Quando começou a anoitecer, arrumaram os livros, e foram para casa.
Durante o fim-de-semana Raquel e Tiago, não voltaram a falar, e ambos achavam que aquela tarde não tinha passado da sua imaginação, mas logo na segunda feira de manhã Miky teve a prova de que não tinha imaginado aquilo: estava juntamente com Bia, Lua, Cristina, Rute, Tatiana, Vanessa, e o resto das raparigas da sua turma quando Tiago apareceu:
- Acabas-te por não me dizer quem é o Ricardo…- segredou-lhe discretamente.
Miky riu para si mesma, mas ao ver a cara de Bia e Lua, percebeu, que aquilo realmente, não podia passar de um sonho…como poderia ter pensado, em dar-se bem com Tiago, quando tanto Bia como Lua estavam interessadas nele! E para além disso, ele não deixará de ser estúpido por a ter ajudado a fazer os T.P.C.’s!... Que ideia! Isso não podia voltar a acontecer…
Durante o resto da semana evitou estar a sós com Tiago, ou sequer dar-lhe uma oportunidade para falarem, e por isso, só voltaram a comunicar, na quinta-feira à tarde, na aula de teatro, pois tinham de começar a ensaiar as primeiras cenas. Quando na seguinte sexta-feira, Tiago voltou a encontrar Raquel ao pé do chorão, perguntou-lhe o que se passava, pois achava estranho, visto que se tinham dado tão bem naquele dia, mas Raquel apenas lhe soube responder que as coisas mudavam, e saiu disparada para casa, correu para o quarto e afundou-se nos cobertores. “Existem medos difíceis de superar, e ainda por cima, quando superados, ainda dão muita dor de cabeça” pensou antes de adormecer, e mergulhar num sonho confuso que envolvia Tiago, o Irmão, Lua e Bia. Foi acordada por Ricardo, duas horas mais tarde, para irem jantar.
- Estas bem? - Perguntava-lhe este.
- Sim, porquê? – Mentia Raquel.
- Não sei, estás um pouco estranha…- argumentou o irmão.
- Achas? Porquê? – Ignorou Miky.
- Tu é que devias saber o porquê… - opinou Ricardo.
- Pois, se descobrires o motivo diz-mo…- acabou Miky por confessar.
- Não será por causa do… Tiago? – Propôs este, ao que Raquel se engasgou, e lançou um olhar ao irmão que o fez entender claramente que não voltasse a mencionar esse nome. Nessa mesma noite, Raquel e Ricardo receberam a noticia de que iriam ao slide splash, nesse fim-de-semana, o que animou imenso Raquel, na manhã seguinte acordaram cedo, e saíram mal o sol se pós, para não apanharem muita fila a entrada do parque aquático.
O céu apresentava algumas nuvens, embora estas parecessem apenas pequenos pompons num mar de um azul límpido. Foi um dia em cheio, sem Tiago, sem Leu, sem Lua e Bia, a chateá-la, para lhe perguntar porque insistia Tiago em passar tanto tempo a tentar chamar a sua atenção… enfim…sem melgas, não é que Raquel conseguisse viver sem qualquer um deles, mas estava farta da pressão que estes exerciam sobre ela, e para além disso, na semana seguinte iria começar a receber os testes, e por isso era bom que aproveitasse os últimos tempos sem chatices por causa das notas!... Com tais condições o dia de Raquel não poderia ter sido melhor…para além de recordar o cheiro a verão e a férias, também conheceu um rapazinho chamado Mateus - que segundo as descrições e classificações de Lua, seria caracterizado como bastante atraente, e um amigo promissor. E também Raquel o achou um rapaz bastante simpático e cavalheiro, dentro dos modernos termos do século XXI. Raquel descobriu agradada que Mateus frequentava o colégio para o qual ela mesma iria no seguinte ano, e onde o seu próprio irmão andava, no entanto ficou ainda mais surpreendida ao descobrir que Mateus era apenas um ano mais velho, visto que era bem mais alto que ela.
- Então…e tu?...Estás para aqui farta de me fazer perguntas…fala-me mais de ti! – Insistiu Mateus.
- Bem, não há muito para dizer… Tenho 14 anos, sou aqui do Algarve também…tenho um irmão que me conhece irritantemente bem! E acredita que é mesmo irritante! Sabe sempre no que estou a pensar! – declarou Raquel pouco à vontade, não pelo facto de estar a dizer isto a um rapaz que acabara de conhecer, mas por se estar a lembrar do que Ricardo lhe dissera noite anterior – “será que estou mesmo assim, por causa do Tiago?” - Perguntou Raquel a si mesma. E pensando no diabo! Ricardo vinha na direcção deles
- E a vêm o meu querido irmãozinho! - Exclamou Raquel
- O quê? O Ricardo é teu irmão!...Não acredito!...- Espantou-se Mateus.
- Sim, mas…tu conhece-lo - Perguntou ela estupefacta, é que se fosse essa a realidade, Miky tinha de admitir que o mundo era pequeno de mais!
- Então maninha! – Cumprimentou Ricardo visivelmente animado – Mathews! Pelos vistos já conheces a minha mana? – Supôs.
- Sim, parece que sim. – Confirmou esboçando o seu sorriso, ou melhor, esboçando o sorriso mais bonito que Raquel alguma vez vira ( se não contasse com o de Tiago, é claro).
Passaram o resto da manhã a falar, e Raquel acabou por descobrir que Mateus era da mesma turma que Ricardo.
Ao meio dia comeram uns cachorros quentes, e até as três horas da tarde entreteram-se a jogar às cartas, contar histórias cómicas, etc...
Quando finalmente puderam voltar à água, atacaram os escorregas, e embora as filas para andar em cada um deles fossem enormes, não foi o tempo que passaram nelas que lhes estragou o dia.
O domingo passou depressa, apesar de Raquel e Ricardo estarem emaranhados nos estudos, receberam a chata visita da tia Florinha que adorava criticar tudo, ou seja, o que quer que cada um deles fazia tinha algo de mal! À noite, quando finalmente a adorada tia foi embora, Ricardo decidiu fazer de palhaço e começou a imita-la:
-Apanha os cabelos Raquel, esse teu cabelo a andar de um lado para o outro não te fica nada bem! – Gozava ele.
Todos se riram, mas o pai de Raquel tomou um ar serio depois de te dado uma gargalhada bem dada, e ordenou que ninguém voltasse a fazer isso, e embora tivesse sido uma ordem, Ricardo ainda sussurrou umas criticas típicas da tia Florinha a Raquel, ao que esta começou a rir-se disfarçadamente.


'"Bia"'...