domingo, 2 de agosto de 2009

Amizade impossível?...



Depois de acabar a sua exposição oral, Miky afundou-se nos exercícios de francês, e nas complicadas equações de matemática. Estava tão concentrada que nem deu pela chegada de Tiago.
- Precisas de ajuda? - Perguntou este.
- Não, obrigada, a mãe ainda não chegou Ricardo, se quiseres alguma coisa para comer, tens panquecas na cozinha…- informou Miky completamente emaranhada nos trabalhos, nem dando conta que não estava a falar com o irmão.
- Obrigada, mas eu não estou com fome…e… também não me chamo Ricardo…- chamou à atenção Tiago, sentando-se ao lado de Miky e observando o que esta estava a fazer. Ao perceber com quem estava a falar Miky ficou um pouco embaraçada, mas continuou a fazer os trabalhos de matemática.
- Esta está mal…quando mudas um termo de membro tens de trocar os sinais – informou Tiago. Raquel limitou-se a emendar, e continuou como se nada fosse – obrigada por me ajudares nos trabalhos de casa Raquel - dizia Tiago em tom irónico. Miky pousou o lápis, respirou fundo e respondeu.
- Obrigada, mas as minhas dúvidas, eu tiro-as com o professor.
- E tens a certeza de que percebes, ou que sequer as pões ao professor? – Duvidou Tiago.
- Está bem, pronto, tenho alguma coisa mal, senhor espertinho? - Inquiriu Raquel.
- Não, o resto está tudo bem, acho eu… - respondeu ele depois de analisar os T.P.C.’s de Raquel. – Já fizes-te os de francês? É que eu não consegui perceber a matéria, o francês não me entra na cabeça, definitivamente!
- Não, ia fazer agora, mas se quiseres vais buscar os livros a casa e fazemos juntos, acho que percebi mais ou menos a matéria. – Propôs Raquel.
- Óptimo! Fica aqui que eu já volto…ah…queres alguma coisa para comer?...panquecas? - Sugeriu Tiago. Miky riu-se e acabou por responder:
- Sim, só por causa disso, podes trazer alguma coisa… - brincou.
Passado um bocado, Tiago voltou a aparecer com livros debaixo do braço, carregado com um bolo de chocolate com aspecto óptimo e com sumos. Ao ver isso Miky desatou a rir. Sentaram-se os dois debaixo do chorão a fazer os trabalhos de casa e quando os acabaram, encheram a barriga de bolo de chocolate, sumo e queques. Naquela tarde, pela primeira vez Raquel e Tiago tinham conseguido falar civilizadamente e mais, ambos se tinham divertido a valer como já não faziam à muito. Quando começou a anoitecer, arrumaram os livros, e foram para casa.
Durante o fim-de-semana Raquel e Tiago, não voltaram a falar, e ambos achavam que aquela tarde não tinha passado da sua imaginação, mas logo na segunda feira de manhã Miky teve a prova de que não tinha imaginado aquilo: estava juntamente com Bia, Lua, Cristina, Rute, Tatiana, Vanessa, e o resto das raparigas da sua turma quando Tiago apareceu:
- Acabas-te por não me dizer quem é o Ricardo…- segredou-lhe discretamente.
Miky riu para si mesma, mas ao ver a cara de Bia e Lua, percebeu, que aquilo realmente, não podia passar de um sonho…como poderia ter pensado, em dar-se bem com Tiago, quando tanto Bia como Lua estavam interessadas nele! E para além disso, ele não deixará de ser estúpido por a ter ajudado a fazer os T.P.C.’s!... Que ideia! Isso não podia voltar a acontecer…
Durante o resto da semana evitou estar a sós com Tiago, ou sequer dar-lhe uma oportunidade para falarem, e por isso, só voltaram a comunicar, na quinta-feira à tarde, na aula de teatro, pois tinham de começar a ensaiar as primeiras cenas. Quando na seguinte sexta-feira, Tiago voltou a encontrar Raquel ao pé do chorão, perguntou-lhe o que se passava, pois achava estranho, visto que se tinham dado tão bem naquele dia, mas Raquel apenas lhe soube responder que as coisas mudavam, e saiu disparada para casa, correu para o quarto e afundou-se nos cobertores. “Existem medos difíceis de superar, e ainda por cima, quando superados, ainda dão muita dor de cabeça” pensou antes de adormecer, e mergulhar num sonho confuso que envolvia Tiago, o Irmão, Lua e Bia. Foi acordada por Ricardo, duas horas mais tarde, para irem jantar.
- Estas bem? - Perguntava-lhe este.
- Sim, porquê? – Mentia Raquel.
- Não sei, estás um pouco estranha…- argumentou o irmão.
- Achas? Porquê? – Ignorou Miky.
- Tu é que devias saber o porquê… - opinou Ricardo.
- Pois, se descobrires o motivo diz-mo…- acabou Miky por confessar.
- Não será por causa do… Tiago? – Propôs este, ao que Raquel se engasgou, e lançou um olhar ao irmão que o fez entender claramente que não voltasse a mencionar esse nome. Nessa mesma noite, Raquel e Ricardo receberam a noticia de que iriam ao slide splash, nesse fim-de-semana, o que animou imenso Raquel, na manhã seguinte acordaram cedo, e saíram mal o sol se pós, para não apanharem muita fila a entrada do parque aquático.
O céu apresentava algumas nuvens, embora estas parecessem apenas pequenos pompons num mar de um azul límpido. Foi um dia em cheio, sem Tiago, sem Leu, sem Lua e Bia, a chateá-la, para lhe perguntar porque insistia Tiago em passar tanto tempo a tentar chamar a sua atenção… enfim…sem melgas, não é que Raquel conseguisse viver sem qualquer um deles, mas estava farta da pressão que estes exerciam sobre ela, e para além disso, na semana seguinte iria começar a receber os testes, e por isso era bom que aproveitasse os últimos tempos sem chatices por causa das notas!... Com tais condições o dia de Raquel não poderia ter sido melhor…para além de recordar o cheiro a verão e a férias, também conheceu um rapazinho chamado Mateus - que segundo as descrições e classificações de Lua, seria caracterizado como bastante atraente, e um amigo promissor. E também Raquel o achou um rapaz bastante simpático e cavalheiro, dentro dos modernos termos do século XXI. Raquel descobriu agradada que Mateus frequentava o colégio para o qual ela mesma iria no seguinte ano, e onde o seu próprio irmão andava, no entanto ficou ainda mais surpreendida ao descobrir que Mateus era apenas um ano mais velho, visto que era bem mais alto que ela.
- Então…e tu?...Estás para aqui farta de me fazer perguntas…fala-me mais de ti! – Insistiu Mateus.
- Bem, não há muito para dizer… Tenho 14 anos, sou aqui do Algarve também…tenho um irmão que me conhece irritantemente bem! E acredita que é mesmo irritante! Sabe sempre no que estou a pensar! – declarou Raquel pouco à vontade, não pelo facto de estar a dizer isto a um rapaz que acabara de conhecer, mas por se estar a lembrar do que Ricardo lhe dissera noite anterior – “será que estou mesmo assim, por causa do Tiago?” - Perguntou Raquel a si mesma. E pensando no diabo! Ricardo vinha na direcção deles
- E a vêm o meu querido irmãozinho! - Exclamou Raquel
- O quê? O Ricardo é teu irmão!...Não acredito!...- Espantou-se Mateus.
- Sim, mas…tu conhece-lo - Perguntou ela estupefacta, é que se fosse essa a realidade, Miky tinha de admitir que o mundo era pequeno de mais!
- Então maninha! – Cumprimentou Ricardo visivelmente animado – Mathews! Pelos vistos já conheces a minha mana? – Supôs.
- Sim, parece que sim. – Confirmou esboçando o seu sorriso, ou melhor, esboçando o sorriso mais bonito que Raquel alguma vez vira ( se não contasse com o de Tiago, é claro).
Passaram o resto da manhã a falar, e Raquel acabou por descobrir que Mateus era da mesma turma que Ricardo.
Ao meio dia comeram uns cachorros quentes, e até as três horas da tarde entreteram-se a jogar às cartas, contar histórias cómicas, etc...
Quando finalmente puderam voltar à água, atacaram os escorregas, e embora as filas para andar em cada um deles fossem enormes, não foi o tempo que passaram nelas que lhes estragou o dia.
O domingo passou depressa, apesar de Raquel e Ricardo estarem emaranhados nos estudos, receberam a chata visita da tia Florinha que adorava criticar tudo, ou seja, o que quer que cada um deles fazia tinha algo de mal! À noite, quando finalmente a adorada tia foi embora, Ricardo decidiu fazer de palhaço e começou a imita-la:
-Apanha os cabelos Raquel, esse teu cabelo a andar de um lado para o outro não te fica nada bem! – Gozava ele.
Todos se riram, mas o pai de Raquel tomou um ar serio depois de te dado uma gargalhada bem dada, e ordenou que ninguém voltasse a fazer isso, e embora tivesse sido uma ordem, Ricardo ainda sussurrou umas criticas típicas da tia Florinha a Raquel, ao que esta começou a rir-se disfarçadamente.


'"Bia"'...

1 comentário:

  1. Não há amizade impossivel!
    Cada vez gosto mais desta história!

    E de vcs também, fazem-me tanta falta!

    *

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