terça-feira, 8 de setembro de 2009

Contínua inoportuna... XD





- Raquel!
- Olá, tudo bem?
-Sempre… E agora ainda melhor! – Respondeu Mateus, ao que Raquel fez um cara de quem não percebeu, no entanto Mateus não se deu ao trabalho de explicar – Dás-me o teu mail?
- Sim… raquel_rsa@hotmail.com
- RSA? O que significa? – Perguntou Mateus curioso.
- Raquel Santos Almeida, o meu nome. – Explicou ela.
- Ah, pois… Queres vir para ao pé de nós? O teu irmão estava mesmo para te ir buscar a casa do teu amigo. – Explicou ele.
-Está bem – concordou Raquel, no entanto houve algo na maneira como Mateus tinha proferido a palavra “amigo”, que ela não gostou nada. Quando chegaram a sala, Ricardo apresentava um ar zangado e paternalista, no entanto esta mascara caiu quando olhou para a cara da irmã.
- Eu não acredito! Mateus diz-me uma coisa, eu tenho cara de palhaça, ou alguma coisa escrita na testa que tenha piada? – Perguntou Miky na brincadeira, ao que Mateus não respondeu, e em vez disso foi Ricardo a falar:
- Já viste as horas, para a próxima vou lá e trago-te, 17 horas não são 17:15!
Raquel atirou uma almofada contra o irmão: Pareces agora a mãe! Tu também nunca chegas as 17 quando vens da casa da Carlinha!
- Pois mas eu sou mais velho! - Ripostou, e outra almofada lhe bateu na cara, mas desta vez foi Mateus o autor do crime. – Olha, olha, grande amigo que este me saiu! Preferes defender a minha irmã a me defender a mim? – Ironizou Ricardo, ao que Mateus respondeu com um encolher de ombros, entreolharam-se, e passado um momento de silêncio absoluto só se houve um grito do Mateus: MOCHE AO RICARDO!;
Raquel teve apenas tempo para ver Mateus atirar-se para cima de Ricardo, ambos a caírem no chão e logo a seguir atirava-se também para cima de ambos, depois pouco ou nada percebeu, por causa da confusão de braços e pernas que estavam juntas e só se deu conta de que estava cercada e que ia sofrer um ataque de cócegas quando as sentiu, e quando finalmente se conseguiu levantar, começou a correr atrás do Mateus para lhe bater pelo que tinha feito. Pouco depois este teve de se ir embora, e Miky teve de aturar as imensas, mas mesmo imensas perguntas do irmão sobre a tarde passada em casa de Tiago, e para grande felicidade dela a sua mãe chegou pouco depois e o interrogatório parou. Depois do jantar Raquel foi para o seu quarto para fazer a mala para o dia seguinte.
* * *
No dia seguinte Raquel foi acordada pela música de que menos gostava – “Ao ritmo do flow” o que não contribuiu muito para o estado de Humor, não sabia porquê mas tinha um pressentimento de que aquele dia seria péssimo, não só por a tarde do dia anterior ter sido espectacular, mas também por achar que apenas nos contos de fadas é que depois de uma tarde tão boa o dia seguinte poderia ser bom. O estado do tempo também não ajudou muito, as nuvens carregadas ameaçavam rebentar a qualquer momento, e escondiam o sol, que parecia não querer aparecer naquele dia. Quando saiu de casa deparou-se imediatamente com Tiago e perguntou-se a si mesma se este estava à sua espera há muito tempo…
Quando chegaram a escola, deparar-se logo com Bia e Lua num dos seus passeios diários, e foi aí que Raquel percebeu porque se sentia tão apreensiva quanto aquele dia. Tinha se esquecido completamente de que os colegas a estavam a ignorar a ela e a Tiago por um motivo que era desconhecido a ambos. Infelizmente Miky sabia que aquele assunto não podia esperar mais, e que teria de ser resolvido naquele dia, coisa que Tiago também percebeu:
- Podemos tratar disto já…Temos 45 minutos livres. – Sugeriu Tiago, mas Raquel abanou imediatamente a cabeça. Sabia que o assunto envolvia ambos, mas não queria que Tiago estivesse com ela quando falasse com as amigas. – Ambos estamos envolvidos, sabes bem disso! – Reclamou Tiago como que lendo o pensamento de Miky.
- Eu sei. Mas…não me apetece discutir logo de manhã… - mentiu Raquel, na verdade ela até queria despachar o assunto. Mas naquelas circunstâncias, não. Seguiram na direcção oposta à de Lua e Bia e refugiaram-se num gabinete, onde podiam falar a vontade:
- Temos de falar com elas! – Lançou Tiago.
- Tenho de falar com elas! Tu não tens nada a ver com isto. Não fizes-te nada de mal. – Contrariou Raquel. Ele abanou a cabeça em sinal de discordância e aproximou-se mais de Miky agarrando-lhe em ambas as mãos para que esta o ouvisse e não pudesse fugir:
- O problema e de ambos, aliás isto deve ser tudo culpa minha! Por minha causa é que vocês começaram a chatear-se. Como é que podes dizer que não fiz nada quando sou eu a fonte dos problemas. – Irritou-se ele. A princípio Miky ficara atordoada, como sempre, pela proximidade a que estava de Tiago, mas as suas palavras fizeram Raquel revoltar-se. Era obvio que ele não era a fonte do problemas… Como poderia ser?
- Ora, não te culpabilizes por algo que nem sabes o que é! – Ordenou ela.
- E tu sabes? Sabes tanto quanto eu! – Afirmou Tiago. Continuavam de mãos dadas, e agora estavam tão próximos que conseguiam sentir o batimento do coração um do outro. Miky olhou Tiago nos olhos e todos os seus argumentos se esvaíram. A custo desviou o olhar e tentou afastar-se dele, mas o segundo objectivo não foi bem sucedido pois Tiago agarrava-a com uma força colossal. – Fizeste tanto quanto eu…sabes tanto quanto eu…és tão culpada quanto eu…e por isso temos de resolver isto Juntos! - Continuou Tiago. Miky parou de se debater e acenou com a cabeça, não valia a pena discutir. Sabia que ia acabar por perder a razão. Mantiveram-se ali, de mãos dadas, um contra o outro, olhar fixo nos olhos um do outro e com expressões de compreensão e companheirismo, mais próximos do que nunca, no local em que menos provavelmente alguém os encontraria, ou pensaria em encontrar, no entanto, de repente a porta escancarou-se e a continua ficou estupefacta a olhar para ambos. Quando se aperceberam do que tinha acontecido Tiago largou imediatamente Raquel e esta afastou-se o mais que o pequeno gabinete o permitia.
- Já lá para fora, se não querem que faça queixa ao director! – Ralhou ela, e embora ambos não tivessem feito nada demais, cumpriram a ordem mantendo-se o mais afastados e sérios possível enquanto estavam ao alcance do olhar fulminante da contínua, mas quando viraram a esquina escangalharam se a rir, das coisas que aquela “mulherzinha” provavelmente tinha pensado que eles estavam a fazer. Tocou às 8:30h para entrada, mas eles tinha aulas apenas 45 minutos depois e por isso, foram para o bar, para se poderem reconfortar com um pouco de calor depois de uma conversa tão fria como escaldante. Quando chegaram ao bar viram logo a mesa em que a sua turma se encontrava, mas ninguém fez menção de os chamar para lá, pelo que nenhum deles fez questão de propor a hipótese de se juntar aos amigos. Foram para a mesa ao fundo do bar, ao lado do quiosque, e ficaram a olhar-se minutos sem fim, à espera que algum tivesse tema para conversa, a espera que algum interrompesse o silêncio que tanto incomodava um como o outro.
- Está na hora. – Acabou Tiago por dizer, quando chegou a hora de ir para a aula. Se fosse qualquer outra aula Raquel tinha tido uma vontade enorme de se “baldar”, mas as aulas de moral eram sempre diferentes, sempre divertidas, e sabia que lhe faria bem ter um pouco de diversão naquele dia chuvoso. Quando entraram na sala de aula foram recebidos como sempre, com extrema exuberância e muito carinho, o que os fez sorrir, ao menos ainda tinham alguém que não os olhasse de lado, mal humorado. Depois de todos terem entrado, o professor explicou-lhes o jogo que iriam fazer naquele dia: eram uma espécie de corrente eléctrica, e um de deles era o gerador, e apenas esse podia mudar o sentido da corrente, alguns eram aparelhos eléctricos, o que permitia saber o sentido da corrente, e uma pessoa ficava de fora e tentava descobrir quem era o gerador. Foi um jogo divertido, acima de tudo porque, durante o tempo em que se camuflaram de objectos ninguém fez comentários nem ninguém olhou de lado quer para Miky quer para Tiago. E o facto de o Joel (aquele pateta em pessoa da turma, que adorava galinhas) ter feito de maquina de lavar, de uma maneira ridícula. A aula passou tão depressa que nem deu tempo para se rirem em condições, e quando deram conta disso, já estavam lá fora, expostos à gélida chuva, que caia sobre eles como se os quisesse magoar. A aula de português foi bem menos interessante, mas o que mais assustava Miky era o tempo que teria de passar no balneário sem a presença reconfortante de Tiago. Inspirou fundo antes de entrar, e depois disso não voltou a tirar os olhos do chão até voltar a sair daquele cubículo. Saiu o mais depressa que pode do balneário feminino e foi para ao pé do ginásio, onde felizmente estava Tiago, já equipado:




"'Bia"'...

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