terça-feira, 21 de julho de 2009

Pizzaria...


Numa rua de Algarve, bem longe da poluição, carros e casas, uma pena sobrevoava o céu, passando por arbustos, árvores e pedras…mas nunca parando. Ia baixando a altitude moderadamente, até que por fim encontrou o seu “porto de abrigo”.
A pena, leve e fofa, encontrava-se delicadamente pousada sobre a boca de Miky… na realidade o seu verdadeiro nome era Raquel, mas como toda a gente a tratava assim…
Miky abriu os olhos, olhou em volta à procura de um sinal de vida., um pássaro… uma borboleta….nada se mexia. O vento havia para do de soprar, as nuvens tinham desaparecido e o sol já ia alto. Convencida de que tinha sido só imaginação sua e de que nada lhe tinha tocado, Miky levantou-se e dirigiu-se para a sombra de um chorão que estava ali perto. Encostou-se à árvore, mas desta vez não fechou os olhos, sabia que não estava ali ninguém, mas ficou simplesmente a contemplar o que a rodeava, como se fosse a primeira vez que visse todo aquele “cenário”.
A pena, essa, tinha ido ter com Miky e encontrava-se aos pés dela. Passaram-se 5 minutos, 20 minutos, 1 hora, até que embalada pelo sopro do vento Miky adormeceu…
Já era tarde quando acordou e confusa com o que tinha acontecido, saio disparada para casa… e a pena, bem… ficou para traz, flutuando de um lado para o outro, mas nunca parando.
- Quanto mais velha estas, pior és! - Insinuava a mãe de Miky quando esta chegou a casa – Já viste as horas?
De certa forma, ela ate nem tinha culpa de ter chegado tarde a casa, pode acontecer a qualquer um adormecer! Mas como Miky sabia que a sua mãe não iria entender… afinal e sempre assim. As mães nunca entendem as filhas, e as filhas nunca entendem as mães! Ainda para mais, Miky tinha um pequeno defeito… era demasiado teimosa, ou seja, só desistia de uma coisa quando lhe dessem mil e uma razões para o fazer. De resto era uma adolescente com 14 anos, cabelos castanho-escuros, ondulados e olhos cor de avelã. É uma “teenajer” como todas as outras… inteligente, brincalhona mas no entanto muito sincera, amiga e feliz.
Estava no princípio de um novo ano escolar. Novos amigos, turma nova, etc.
Parecia que a turma tinha sido invadida por estranhos, mas as únicas três pessoas de que Miky realmente precisava, estavam lá. Depois de terem ouvido a longa e “secante” palestra da D.T. e terem admitido tudo o que a professora citava no sermão, puderam por fim sair e conhecer-se melhor…
Miky e as suas duas “best friends”, Lua e Bia, optaram por ir dar uma volta à escola, contar as suas histórias de verão, falar sobre coisas novas. Tinham combinado com o pessoal da turma do ano anterior ir comer à pizzaria, por isso teriam de por a conversa em dia rapidamente.
- Não estas bem a ver?! Tipo, estava no meio da rua, em Aveiro, tinha acabado de comprar um pacote de pipocas daqueles bem grandes e passa um gajo todo bom por mim, eu distraída deixo cair o pacote de pipocas, e ele olhou para traz, riu-se…e nem uma nem duas!! Não é estúpido? – Contava Lua
- Ya – concordava Bia – se isso me acontecesse acho que ainda me dava os 5 minutos e ainda dizia algum disparate! E tu Miky?... Miky!?...
- Ah… o que?... Que se passa, já esta na hora?
- Wait a minute! - Pediu Bia chegando-se ao pé de Miky e procurando qualquer coisa no campo de futebol – ah! Já sei o que é! Olha quem esta lá ao fundo de cinzento! - Disse Bia para Lua.
- Esta lá muita gente, agora de cinzento…
- O Leo! - Entoaram ambas em uni som.
Pois a terceira pessoa que Miky mais queria na sua turma era Leonel, e vê-se bem porque! Desde o 7º ano que Miky gostava dele. Leo era uma rapaz inteligente, embora não o fizesse entender pelas suas notas, de olhos e cabelos castanhos, um pouco mais alto que Miky mas com a mesma idade.
- Amiga! - Chamou Lua estalando os dedos a sua frente - acorda, temos de ir, esta na hora!
- Esta bem, bora! – Iam a afastar-se do campo quando Miky se lembrou de que Leo também ia. – Esperem, já venho.
O que não iam deixar de parte nem despercebido era a festa que tinham feito na pizzaria, quando lá chegaram ainda se encontrava praticamente vazia, por isso puderam escolher o cantinho mais espaçoso e acolhedor. Fizeram os pedidos e ai começou a algazarra total. O Miguel e o Filipe puseram-se a falar do europeu, a discutir as tácticas e os melhores jogadores, a eles juntaram-se mais uns quantos; a Cristina e o Manel, para não variar, puseram-se a dizer mal da Prof. De físico química. O Pedro, aquela base do chão, ao ouvir o nome da professora, posse logo a gozar com a sua estranha maneira de andar, quem visse de fora bem podia pensar que lhe estava a dar um ataque, mas o pessoal sabia que ele estava apenas a brincar com a maneira de andar da professora.
Miky, Lua, Bia, Rafael e Leo juntaram-se a jogar verdade ou consequência. A pouco e pouco toda a gente se lhes juntou, e foram surgindo verdades, não de abrir a boca, mas de a escancarar, embora também fossem feitas coisas num silêncio absoluto.
Quando finalmente as pizzas aterraram na mesa, não se mantiveram lá por muito tempo por causa da “fome intensa” que se fazia sentir devido a imensa brincadeira. Durante o resto da tarde a pizzaria manteve-se por conta deles, o que levou à devastação total do edifício. Mas só quando a Cristina mandou um grito que se ouvia na escola é que a tampa saltou e o proprietário os obrigou a limpar tudo o que tinham feito.
Por fim, lá conseguiram repor a ordem na pizzaria e, antes que o dono voltasse a ter outro ataque de fúria saíram dali para fora. Como Miky não queria que a mãe também tivesse um ataque de fúria, pois ai ela sabia que iria ser bem pior, despediu-se do pessoal e seguiu rumo a casa.” Até nem foi assim tão mau” – Pensou – “ o sermão este ano foi um pouco chato, mas ao menos divertimo-nos imenso na pizzaria…até mesmo a limpar…” - riu para si mesma – “ Aquele Rafael, tss, parecia que estava no paraíso, também, com a Lua e a Bia, o que é que ele queria mais?! Ai, ai, o Leo é tão fofo…foi uma tarde espectacular…o melhor foi ver os rapazes a limpar o chão!”
Quando chegou a casa ocupou-se com a estupenda tarefa de analisar o seu horário: “Até nem é muito mau” – Pensou – “tarde livre à quarta e à sexta, à segunda e à terça saio as 16:05h, e na quinta às 17:00h.
Como já esperava que acontecesse, parecia que o fim-de-semana estava a tirar horas a semana que se iria seguir, sendo que cada segundo parecia durar um minuto, e cada minuto se assemelhava a uma hora de tédio. Quando finalmente chagou à hora de voltar à escola, o entusiasmo de Miky fazia-se sentir a cada passo que dava. O primeiro dia de aulas teria de ser em grande!
"'Miky&Bia"'



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